O que você não vê também pode fazer mal

Quando você mistura resina e endurecedor, começa uma reação química exotérmica (que libera calor). Dependendo do sistema de resina, ela pode liberar compostos orgânicos voláteis (COV) e outras substâncias reativas. Algumas têm cheiro, mas muitas não têm cheiro nenhum. Esses vapores podem irritar as mucosas do nariz, da garganta e dos olhos, causar tosse ou rouquidão e provocar sensibilização.

Mesmo resinas com o rótulo “baixo odor” ou “baixo COV” podem liberar, durante a cura, substâncias químicas irritantes ou nocivas. Seu nariz se acostuma aos vapores químicos mais rápido do que você gostaria, mesmo que a concentração no ar continue a mesma. E “só uma misturinha rápida” também conta: Safe Resin Art compara seu corpo a um barril que enche um pouco a cada vez que você trabalha sem proteção. A sensibilização não segue uma contagem regressiva previsível.

Máscaras PFF e N95: a grande confusão

As máscaras PFF (na Europa, FFP) filtram partículas sólidas e líquidas do ar. A PFF3 é a classe mais alta das máscaras contra partículas e filtra pelo menos 99 %; a PFF2 é mais ou menos comparável à N95. O problema: essas máscaras só filtram partículas, não vapores. Os vapores químicos da resina passam por elas como se fossem uma janela aberta. Na hora de aplicar a resina, elas dão uma falsa sensação de segurança. Já para lixar e trabalhar com pós, uma PFF3 bem ajustada é uma proteção útil contra partículas.

O que significam A2P3 e OV/P100

Respiradores semifaciais e faciais inteiros com filtros substituíveis usam carvão ativado para reter os vapores. Na Europa, o sistema de cores segue a norma EN 14387: A (marrom) corresponde a certos gases e vapores orgânicos com ponto de ebulição acima de 65 °C (149 °F), e o número depois da letra indica a capacidade do filtro (1 baixa, 2 média, 3 alta). O “P” a mais significa filtro para partículas. P3 é a classe mais alta, com eficiência de filtragem de 99,95 %. Assim, o A2P3 protege contra certos vapores orgânicos e partículas.

Mas o A2P3 não serve para todas as resinas, endurecedores, sprays ou solventes: confira a FDS de cada produto e confirme o filtro com o fabricante da máscara. Se você precisar de outro tipo, como K (verde) para amônia e aminas, a FDS informa. Nos EUA, escolha uma combinação de respirador e cartucho aprovada pelo NIOSH, muitas vezes cartuchos para vapores orgânicos (OV) com filtros P100. No Brasil, respiradores e filtros precisam ter Certificado de Aprovação (CA). OV/P100 e A2P3 são sistemas diferentes, não homologações intercambiáveis. Um respirador facial inteiro também protege os olhos dos vapores irritantes, coisa que óculos comuns não conseguem, porque não vedam.

Verifique a vedação toda vez

Um bom filtro só protege você se a máscara vedar de verdade. Basta um vazamento mínimo, por causa do cabelo, da maquiagem ou de uma alça mal colocada, para os vapores entrarem sem filtragem. Um exemplo comum de verificação (teste de pressão negativa): coloque a máscara como o fabricante indica, tape as entradas dos filtros com as mãos e inspire devagar. A máscara deve grudar um pouco no rosto e ficar assim enquanto você prende a respiração. Se entrar ar, reposicione a máscara, aperte as alças se for preciso e repita a verificação. A barba, mesmo de poucos dias, impede a vedação se tocar a linha de contato. Essa verificação não substitui um ensaio de vedação (fit test), em que uma pessoa treinada confere se o modelo e o tamanho se adaptam ao seu rosto.

Troque os filtros seguindo um plano

Quanto tempo um filtro químico protege depende das substâncias e das condições de trabalho: a concentração de vapores no ar, a temperatura, a umidade e o seu ritmo de respiração. Troque-o seguindo um plano de substituição baseado nas indicações do fabricante, e não quando sentir cheiro. Se sentir cheiro de vapores mesmo com a máscara bem ajustada, saia na hora da área de trabalho e troque o filtro só em ar limpo. Deixe os filtros fechados na embalagem lacrada e escreva em cada filtro, com caneta permanente, a data em que foi aberto. Guarde a máscara limpa, seca e protegida do sol e do calor.

Perguntas frequentes

Uma máscara PFF2, PFF3 ou N95 serve para resina epóxi?

Não. Essas máscaras só filtram partículas, não vapores. Os vapores químicos da resina epóxi passam por elas como se fossem uma janela aberta. A PFF3 é a classe mais alta das máscaras contra partículas e filtra pelo menos 99 %, mas na hora de aplicar a resina dá uma falsa sensação de segurança. Já para lixar e trabalhar com pós, uma PFF3 bem ajustada é uma proteção útil contra partículas; nos EUA, o mais próximo do P3 são os filtros P100, e uma N95 é mais ou menos comparável a uma PFF2.

Posso misturar resina epóxi “só um minutinho” sem máscara?

Não. Mesmo as sessões curtas se somam à exposição total do seu corpo. Imagine seu corpo como um barril: cada vez que você mistura ou aplica resina sem proteção, cai um pouco mais no barril, até que basta uma única gota para transbordar. Não importa só a quantidade diária, mas o total ao longo de semanas, meses ou anos. E a sensibilização não segue uma contagem regressiva previsível.

Todas as perguntas